segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lampejos Inusitados [01]

Não sei se mais alguém já pensou sobre isso mas, sabe aquela música péssima, com aquele arranjo breguíssimo e o famoso refrão que gruda mais do que pixe de praia na sola do pé? Sabe quando essa mesma música está tocando e, de repente, você percebe nela um lampejo de brilhantismo? Um verso que seja, uma palavra apenas, ou mesmo aquele acorde diminuto que você nunca pensou que surgiria naquela melodia cafona e previsível? Pois. Esta nova série de guardanapos se dedica a tais exemplares.

Do mais puro brega, uma pérola pode surgir.
Um dia desses eu estava ouvindo uma rádio na internet, enquanto trabalhava. Eis que ouço uma velha e conhecida melodia, anos 80, daquelas que todo mundo conhece. O problema é que, ao contrário do sax característico de sua versão original, as notas eram tocadas numa guitarra metida a pesada, cheia de distorção. Parei logo o que fazia e fui conferir o nome da música e a banda que a tocava. Confirmei, era realmente o clássico de George Michael, Careless Whisper, mas interpretado de forma bem diferente da original por uma banda chamada seether, até então desconhecida por mim. Achei a nova versão melhorzinha, mas nada que salvasse a breguice encarnada, remanescente da "quase não-aproveitável" década de 80. Continuei ouvindo e prestando, pela primeira vez, atenção na letra. Bem na hora do refrão:

"I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm"

Comecei a rir sozinho e, pra continuar minha diversão, fui atrás do restante da letra. Aqui vai uma estrofe e o refrão completo:

"Time can never mend the careless whispers of a good friend.
To the heart and mind ignorance is kind.
There's no comfort in the truth
pain is all you'll find.

I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm
Though it's easy to pretend
I know you're not a fool.
I should have known better than to cheat a friend
And waste a chance that I've been given.
So I'm never gonna dance again
the way I danced with you."

Tem até uns trechos bonzinhos e muitos outros bem divertidos, mas, o verso que me chamou a atenção, o segundo do refrão, é simplesmente fantástico. Brega, cafona, o escambau, mas "guilty feet have got no rhythm"... é muita criatividade, meu deus!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quantos eus me fazem a mim

De personagens de RPG a pseudônimos de textos e poemas. De jogador de time de futebol a membro de família, ou funcionário dedicado. Andei pensando a variedade de personalidades que possuo, às vezes tão diferentes entre si. Diariamente ou em determinados intervalos de tempo, nós acabamos nos relacionando com pessoas diferentes entre si e de nós mesmos, seja por necessidade ou por afinidade. Confesso que às vezes me impressiono um pouco, de tão diferentes que são alguns de meus "grupos de relacionamento", e como consigo manter uma boa relação com eles. O fato é que me divirto e sou bem feliz com muitas coisas, pessoas e lugares diferentes. Em outros tempos já me perguntei se isso seria sintoma de fraca personalidade, mas esse debate não se alongou muito, pois vi que sei distinguir muito bem e com facilidade minhas preferências. E é claro que eu tive também minha época de radicalismo, quando não me permitia ir a determinados lugares, ou ouvir certo tipo de música. Aliás, a bem da verdade o tal radicalismo ainda surge, de vez em quando, em algumas situações.
Numa rápida olhada ao redor, mesmo com a maioria das pessoas, cada vez mais, procurando tanto ser igual um ao outro, seja usando, vendo ou ouvindo as mesmas coisas, creio que, humanos que somos, não poderemos nunca ser iguais, todos. Portanto, viver em sociedade nos obriga a vivenciar a diversidade, a conviver com diferentes formas de pensar e agir. Na minha opinião, o saldo dessa conta é positivo, mesmo com tudo de ruim que disso acontece pelo caminho.
Voltando a falar especificamente da minha pessoa, é engraçado a quantidade de eus que tenho. É lógico que todos eles têm a essência em comum, ou o que me dá identidade, minha personalidade. Mas, atitudes e comportamentos mudam bastante dependendo do local ou das pessoas ao meu redor. O tipo de conversa, a maneira de se comportar, de se vestir. A comparação dos comportamentos quando no trabalho ou entre amigos é bem comum e fácil de ser percebida entre as pessoas, pois a maioria delas vivem essa dualidade. Mas, indo além, me vejo diferente mesmo quando entre amigos diferentes. Aquele casal de amigos mais requintados, o grupo de rpg, o da pelada semanal, o das canções, da família, ou o das conversas intermináveis na mesa de um bar, cada um deles me faz um eu, que age, às vezes, bem diferente de outros eus. Mas a soma de todos eles é que me faz a mim, completo.
Tem gente que não é assim, não se relaciona bem com tantas pessoas tão diferentes entre si, e é engraçado quando, às vezes até sem perceber, eu junto dois grupos distintos, numa mesma atividade. Das duas, uma: ou o desconforto é visível e o evento vira um verdadeiro fracasso, ou os grupos começam a interagir, percebem a riqueza da diversidade e, creio eu (talvez em minha ingenuidade) até gostam.
Fato é que eu gosto de agregar. Pessoas, momentos, amigos, experiências. Sinto-me bem em saber que posso ser uma interseção entre pessoas ou atividades tão diferentes entre si. Gosto do gostar muito e diverso.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

praia, sombra e... cerva gelada

Um violãozinho ajuda também.
















Aí, mais uma imagem feita no PS. Uma cena que há muito não participo, por sinal.
Mudando de assunto, como eu sei que não serve de desculpa o fato de ter estado enfermo por toda a semana passada, este mês terá quatro postagens para compensar as apenas duas do mês passado. Dessa forma eu me iludo, achando que cumprirei com a promessa da maratona.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

sobre o teclado e outras coisas

Como bom usuário de computador que sempre fui, desde seu surgimento e, claro, de quando eu passei a ter condições de possuir um deles em casa, digamos que eu tenha uma certa habilidade na utilização do teclado. Lembro que, há bastante tempo, quando a informática era novidade no país, ainda nos tempos do lançamento do 386, o windows ainda era apenas um programa bonitinho, bastante inútil até; o DOS comandava, editor de texto era wordstar, nós tínhamos que digitar os comandos ao invés dar "dois cliques" com o mouse, ê nostalgia informática!

Pois, me lembro do meu primeiro PC. Um "386 sx de 33", era assim que o chamava. Só de pensar na configuração daquele micro, já caio na risada. Vocês sabem o que era esse 33? Era a velocidade do processador! Meu processador hoje tem 4 (quatro!) núcleos de 2.83ghz, ou seja, dois mil e oitocentos megahertz a mais (em cada núcleo!) do que meu tão querido 386 da Samsung. O nome da minha impresora, também da Samsung, tinha nome de mulher: Michelle 3. Eu nem tinha mouse! Pois é, muitas lembranças. Pra não perder o costume, muitas delas vou deixar pra outras postagens, e destinar este texto apenas a meu periférico preferido da época: o teclado.

Conforme eu já relatei, meu primeiro PC não tinha mouse. Sim, o rato já existia na época, mas como minha mãe não tinha muito dinheiro pra gastar com essas coisas de computador, cortá-lo do pacote foi uma economia razoável na aquisição do equipamento, afinal, eles não eram tão baratos como são hoje. Pois muito bem, o povo ensina, "quem não tem cão, caça com gato", mas eu pergunto: e quem nem rato tem, o que faz? Bom, eu, aprendi a usar o teclado. Tudo bem que, na época, ele era realmente bem mais importante que o mouse, pois muita coisa ainda era digitada, com linguagem de programação pelo DOS e tal. Mas, o windows já ganhava força (eu mesmo já tinha o 3.11 instalado), então muita coisa já podia ser feita com o ratinho. No entanto, eu tive que aprender os famosos "atalhos" do teclado. E como eu era viciado em computador e fuçava em toda e qualquer área que eu tivesse ou não acesso, sendo com ou sem segurança (ainda bem que meu vizinho era técnico em computação e me ajudava muito pra reparar as burradas que eu cometia), logo eu já sabia como fazer de tudo através do teclado, quase não sentindo falta do mouse. As teclas CTRL, ALT e TAB têm um poder que, hoje em dia, poucos conhecem. Da necessidade veio o costume, da prática a velocidade e, dos novos windows (verdadeiros criadores de paraplégicos computacionais, que dependem 100% do mouse), o preconceito para com o rato.

Não desconheço a necessidade e praticidade do mouse, muito pelo contrário. Mas, a despeito de muitos, eu tenho conhecimento e tiro proveito da utilidade que o teclado tem, além de escrever palavras. Navegar na internet ou mesmo no windows explorer, abrir e fechar programas, alternar janelas (experimentem aí pressionar aquela tecla do windows, com o desenho da janelinha, entre o CTRL e o ALT, + "E" ou ela + "D"), e isso apenas dentro do windows. Nos diversos programas, tenho o, creio que já posso classificar como vício, de aprender e decorar os atalhos do teclado. É assim no autocad, 3dsmax, photoshop, corel draw, ou mesmo word, powerpoint, excel, etc. As associações, feitas com CTRL, ALT e SHIFT + letras, variam de programa pra programa, mas eu vou além, decorando também a sequência de letras-chave dos menus de cada programa. Por exemplo, pra inserir uma figura no word, ALT, I, M, D. Ou para inserir uma quebra de página, ainda no Word: ALT I, U, B. Alterar brilho/contraste no Photoshop? ALT, I, A, C (isso se for a versão em inglês). É, eu realmente tinha que classificar com vício. E olhem que não mencionei quase nada do que tenho decorado em atalhos e comandos do teclado.

O fato é que, pra mim, o teclado continua agilizando muito ainda, em muitas coisas, além de digitar palavras, e eu o prefiro, por diversas vezes, ao mouse. Me pergunto se conseguiria, hoje em dia, viver novamente sem o rato. Creio que não indefinidamente, mas acho que o faria por bem mais tempo que muita gente que conheço.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

mais números

Está....
Valendo!
Bola rolando na maratona de posts, meu povo.
Pois é, declaro aberta oficialmente hoje, dia 1º de Julho de 2009, uma tentativa de me fazer mais ativo no uso dos guardanapos e que consiste em garantir, no mínimo, três postagens a cada mês por aqui.
Ainda brincando um pouquinho com números, isso implica dizer que, ao final do ano teremos 3 postagens em cada um dos 6 meses restantes, totalizando 18 'conjunto de palavras' e/ou imagens, nas mais diversas formas a que eu me proponha dispor, abordando uma outra diversidade -de assuntos, também a meu bel-prazer. Meio egoísta esse espaço né? Eu sei.
Os 18 (que é o mínimo garantido), somado aos 8 já existentes esse ano, me faz quebrar o atual e fraquíssimo recorde de 7 postagens ao ano, com uma margem de nada menos que 19 postagens a mais. O detalhe fica por conta da coincidência de o sétimo post deste ano -2009, ter sido publicado aos 19 de Junho, olhem isso!
A matemática é mesmo incrível não? Por estar presente em tudo, podemos achar o que quiser encontrarmos, nos bastando apenas fazer uso da criatividade. Aliás, toda essa história de números me fez pensar sobre eles. Sim, mais ainda.
Não sei quanto a vocês, mas eu acho impressionante a capacidade humana de decorar números, os mais diversos. Tudo bem que nossa habilidade inata diz respeito à memória, pura e simples, mas creio que esse nosso estilo de vida tenha desenvolvido mais essa capacidade no que diz respeito aos algarismos. Eu paro pra pensar por um minuto na quantidade de sequências numéricas que sei decorado e percebo que já se foram dois minutos e eu não cheguei nem perto da metade dos que lembro. Números de telefones de pessoas próximas -e outras nem tanto; números de celulares e telefones fixos antigos, que não são mais utilizados, tenham sido estes meus ou de outros -e olhem que hoje em dia eu praticamente não decoro mais número de telefone, pois gravo tudo no celular; números de residências ou salas de escritórios, aptos, CEP, CPF, RG e contas bancárias -e aqui também, não apenas os meus; datas de aniversário; canais de TV, tamanhos padrões de formato de papel (A4, A3, carta, etc); razões de conversão de unidades e valores de constantes matemáticas (1 polegada =2,54cm, pi=3,1416), tamanhos de roupa e calçados, pressão de calibragem de pneus, placas de carros. É, já se passaram vários minutos e eu continuo lembrando. E isso porque memória nunca foi meu forte, embora ela voltada a números seja lá bem eficiente. Eu não posso, por exemplo, ver alguém, seja quem for, digitar uma senha (de conta bancária, cartão, alarme, e-mail) que sempre decoro. Tenho logo que virar o rosto e resistir à tentação, caso contrário chego a ficar tentando adivinhar a sequência digitada baseando-me apenas na direção dos dedos da pessoa, uma vez que eu não possa ver o teclado numérico.
Sim, há muitos números em minha vida e, se por acaso esses dois últimos posts fizeram parecer, não, eu não sou fanático por eles. Conheço pessoas bem 'piores', que associam tudo a números, criam fórmulas e decomposição de números, as mais mirabolantes, para encontrarem algarismos satisfatórios à necessidade do momento. E acreditam.
Imagina se uma pessoa dessas se forma em matemática. Ou contabilidade.
Bom, chega de falar de números que já fiquei meio zonzo. Se bem que, ainda penso em quantos guardanapos a mais estarão aqui guardados, ao término do ano.
Alguém arrisca? Não eu.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

a conta do mentiroso

Olhando a lista dos "guardanapos amassados" aí do lado, lembrei de quando criei esse meu pequeno mas querido porta-guardanapos virtual. Não vou falar muito sobre todo esse tempo que passou e o que rolou por aqui, deixo isso pra um post tipo "aniversário do blógue".
Por hora, percebi que, por pura coincidência, os dois anos passados totalizaram sete posts cada, não é incrível? -tá, nem tanto.
Tudo bem que em dois mil e sete eu comecei a postar só em Outubro, mas, eu nem quero saber, só sei que foram sete! E, em 2008, sete de novo! Em 2009, vejam só. Recomecei a utilizar meus guardanapos em Abril e, Antes que junho acabasse, já tenho sete postagens!!
Pois é, mas também, fazendo posts como esse, só pra criar volume, é fácil né.
Bom, o lance é que eu aprendi que documentar coisas sempre é legal, pois no futuro a gente pode revivê-las. Pois bem, documentado está.

No entanto, ao contrário de "apenas pra fazer volume", este post tem outro propósito! Afinal, ele nem é o de número sete em 2009...
Completamente movido pela empolgação - e eu sinto um medo de arrependimento futuro aqui- lanço, a partir de agora, uma campanha:
Maratona de posts!!
Aos mais empolgados, calma. O lance vai ser o seguinte: A partir do próximo mês (mês "sete", diga-se de passagem), em cada mês, teremos 3 posts, no mínimo, garantidos por aqui. Por que três? Porque assim eu quis, oras! Tá, tudo bem. Se essa resposta não convence, fiquem com esta: porque sete mais sete mais sete (um pra cada ano até aqui) dividido por sete é igual a 3. Gostou dessa agora? Eu sim.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Calvin, o sábio (ou burrice devia doer)




"Na minha opinião, nós não desenvolvemos pesquisas científicas suficientes para encontrar a cura para os idiotas."





Quer coisa mais irritante que a estupidez? Não, eu não falo da falta de capacidade que certas pessoas têm em comparação com outras mais inteligentemente bem dotadas, e sim daquelas burrices clássicas, que a criatura até nem cometeria, se parasse para pensar por um segundo (tá, em alguns casos, talvez um minuto). Aquelas performances que viram piadas, que inspiram respostas dignas do folclórico Seu Lunga, mas que quase ninguém tem coragem de usar de fato. E pior, muitas vezes os "burros" acham bonito quando divertem os amigos e então passam a tratar a estupidez com afeto e certo almejo até. Mas, imagine, aí é que surgem as pérolas negras. Uma pessoa burra tentando ser mais burra?

Desculpem-me a rudeza mas, excluindo os casos fictícios, dramatização, seriados, uma personagem criada para ser burra (essa sim, ainda me diverte), os casos reais, em sua maioria, me irritam. Mais do que o telemarketing! Não, não estou exagerando. O operador do telefone ao menos faz o que faz com total consciência e intenção de fazer. Muitas vezes é obrigado a tanto. E, venhamos, sempre podemos desligar na cara dele, para amenizar a raiva.

Agora, ao se deparar com uma situação de plena estupidez em ação, a coisa muda de figura.

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Ela entra no prédio do instituto responsável pelo patrimônio e logo está às conversas com uma funcionária, entendedora de coisas do patrimônio.
-Então, eu estou desenvolvendo um trabalho de mestrado, na área de história.
-Hum.. que bom! Olha, eu sou arquiteta, mas tudo bem, posso tentar te ajudar. Sobre o quê o seu trabalho fala?
-Sobre moda.
-Moda? Mas.. moda, tipo roupas, calçados, acessórios?
-Sim, sim. Eu sou formada em moda, só o mestrado que é em história.
-Hum.. Ah tá, legal. Ó, o prédio do instituto histórico é aqui em frente, se você quiser. Mas, me fale mais então.
-Então. É sobre moda no século XVI
-Século XVI? mas...
-É que minha orientadora me disse que só trabalha com esse período da história, aí eu tive que adequar minha pesquisa, entende?
-Hum... mas... bom, eu não sei se poderei lhe ajudar. Creio que nós não teremos informações úteis a você
-Ah... Mas você não saberia me dizer ao menos os nomes das cortes daquela época não?
-Nome das cortes?

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É, eu sei. Moda no século XVI, no Brasil? Nome das cortes? Bom, muitos absurdos, muitos. E, pasmem, eu não contei tudo. Nessas horas, eu fico com uma amiga que me disse certa vez:
"burrice devia doer".