sexta-feira, 25 de junho de 2010

Copa mundo (lado B)

E, como não podia ser diferente, me rendo em falar sobre a copa do mundo (e suas implicações/complicações/ou simplesmente opiniões)

-Cá estou, no deserto do mundo.

Não se ouve a conversa típca -e barulhenta- dos guardadores de carro. Não se ouve sequer os carros! Aliás, hei de registrar esse dia memorável: consegui estacionar numa das 6 vagas mais disputadas da região, quanta alegria!
Isso é copa do mundo, isso é Brasil...
Enquanto o país inteiro escolhe entre defender o treinador sem educação e a mentira/manipulação midiática (tão característica nesse mesmo país, há que se dizer), cá estou, no deserto do mundo, trabalhando.

Nem mesmo o Titio Walter o está, sortudo!

Sem me aprofundar na discussão da validade ou não de tamanha representação social como feriado (-será que o corpus christi é mais válido que os jogos do Brasil?), jogo essa conversa fiada na blogosfera porque, afinal de contas, me ajuda a passar o tempo.

Um abraço às minhas irmãs: almas solitárias nesse deserto, em dia de hoje.

PS: é bem verdade que ouvi na rua agora uma vuvuzela, mas também recebi dois e-mails: não estou sozinho.

sexta-feira, 12 de março de 2010

da preguiça e seus demônios

Ainda hoje recebi por e-mail um texto encaminhado do Carta Maior que fala sobre como age a mídia com Cuba.
Lembrei-me de uma calorosa conversa num bar, regada a chopp e chorinho, entre dois amigos que estavam em minha mesa, de opiniões opostas sobre a ilha. Tenho lá minhas tendências e portanto não comentarei sobre a discussão em si. O fato é que eu não pude participar da mesma.
Quem me conhece pode não acreditar, afinal o cenário possuía tudo o que eu poderia querer (chopp, chorinho e um tema polêmico? perfeito!), no entanto foi o que aconteceu: eu fiquei de fora da conversa.
Por que? Eu não tinha informações pra participar. Claro que as tinha genericamente, além de opinião pessoal e tal. Mas os dois citavam coisas, pessoas, artigos... -podiam até citar algo que eu, particularmente, acho inválido, ou até mentirem, não sei. Mas eu, nem isso podia (posto que desconsidero a opção de mentir). Então, ficava lá, concordando ou discordando apenas, sobre aquilo que os 'entendidos' falavam.
Na ocasião, refiz uma nota mental de que eu deveria me informar mais, e melhor. Não faço idéia de quantas vezes ainda, ou antes, já refiz a mesma nota, e nunca a pus em prática.
Eis que lembrei-me agora de tantas outras coisas que me disse que faria, e nada. Passou-se período de adaptação à mudança, passou-se falta de tempo no dia-a-dia, final e começo de ano, e cá continuo, inerte. Por que? Sei lá, preguiça.
Sim, penso ser isso, pois, a exemplo da matéria que me referi no começo desse post, quando faço as coisas que me-prometi-que-faria-e-não-fiz, sempre me sinto bem. E sim, eu sou preguiçoso mesmo. Às vezes, e/ou pra certas coisas, só funciono 'no tranco'.
Que seja, dou-me o tranco eu mesmo!
(acabei de assinar a impressa Caros Amigos e a digital Carta Maior, além de adicionar à minha leitura internética cotidiana a Conversa Afiada)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

pingo d'ouro


E assim me alento, usando os dentes
Nessa vã e besta vingança
Toma-lhe vida!
Quem está mastigando agora?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

fim de ano

Eu sei que é clichê, mas... Quer melhor época pra isso do que fim-de-ano?

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente
Autor desconhecido por mim

Acreditemos, pois.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Felizes são os ignorantes?

Às vezes me pego afirmando a mim mesmo que a ignorância anda de mãos dadas com a felicidade. Minha racionalidade, obviamente, logo protesta e não aceita isso de forma alguma. No entanto, não consegue estabelecer argumentos convincentes, afinal a sabedoria popular me parece de fato bastante sábia ao dizer "o que os olhos não veem, o coração não sente". Penso então nos menos informados, ou nos mais alienados, e os comparo com seus opostos: aqueles que têm acesso à 'informação verdadeira', ou que sabem filtrar as enormes doses de mentiras descaradas que nos são empurradas goela abaixo, diariamente, por quase todo e qualquer mecanismo de mídia que atua no país. E pergunto: quem é mais feliz?
De um lado, aquele que nada sabe da 'realidade do mundo', que não se preocupa 'o que deveria' com o aquecimento global, a crise econômica ou a decadência cultural, social e intelectual na qual vivemos. O que se restringe à rotina de 40 horas semanais de trabalho, nas quais se diverte com os colegas contando piadas, mostrando ou vendo o vídeo engraçado do momento no youtube, ou ainda escutando o hit atual nas rádios, sem se preocupar se ele é idêntico ao anterior ou se tem qualidade musical e, menos ainda, ao que a letra da música se refere. Que acompanha diariamente a novela ou o reality da vez, que vai regularmente à igreja ou espera ansiosamente pelo fim de semana pra tomar aquela gelada ouvindo outras tantas vezes o mesmo hit, com a mesma despreocupação, entre churrasco e futebol, praia ou piscina, sempre recheado de futilidade, pura e simples, até chegar a mais uma segunda-feira. E a isso ele se resume.
No outro corner, o sempre antenado, culto, esclarecido e ávido por informação. Aquele que sabe receber uma opinião e tecer uma crítica, que tem poder de observação e avaliação, que busca fontes alternativas e menos tendenciosas de informação, que realmente se preocupa com o mundo, política, economia, sociedade e cultura. Que briga por seus direitos, que avalia por tanto tempo e com tantos argumentos a 'simples' possibilidade de deixar um filho nesse mundo. Que se vê a cada dia mais envolvido por essa trama, da qual não consegue escapar e que se auto-alimenta mais e mais, envolvendo a todos os que, como ele, consegue, inutilmente, ver a 'realidade'.
Quem é mais feliz?
Lembro de Matrix. Vale a pena escolher a pílula vermelha? Pra que saber da realidade, se não posso mudá-la? E, antes que me acusem, não é pessimismo. Ela até pode ser transformada, mas não por mim. No mínimo, por pura, simples e inegável falta de tempo. Eu não viveria o suficiente pra ver tal mudança. Porque não, então, engolir a azul mesmo e acreditar que o flamengo hoje tenta ser hexa, que essa nova gripe é mesmo uma epidemia apocalíptica e incontrolável (salvo se tomarmos aquele único remédio eficaz, fabricado por aquele único laboratório), que, em tempos pós-modernos, tudo é arte, ou música e, portanto, válido? Aos da pílula vermelha, o mundo é muito cruel e injusto, e somos todos impotentes. A vida se apresenta cada vez mais difícil, exaustiva e desestimulante. Frustrante. Aos da azul, o mundo simplesmente é. E a vida... bom, a vida passa.
No filme, a pílula é oferecida aos que não sabem da realidade e, uma vez tendo experimentado a vermelha, não há mais volta. Mas curiosidade parece sempre acabar falando mais alto e todos (ou a grande maioria) se imaginam, claro, escolhendo a vermelha. Mas eu me pergunto: e se a escolha fosse oferecida novamente, tempos depois, aos que escolheram a vermelha? Eles continuariam com a mesma escolha? Eu escolheria a azul?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

guardanapo 04

Gostava quando aplaudiam seu canto,
mas não tinha coragem de admitir
que por isso cantava.
Não achava que merecia os aplausos.

Local: não lembro.
Data: 23/09/2009.
Guardanapo: mensagem de texto no celular.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E viva o backup -nova série: "baú digital"

Essa eu desenterrei, remexendo num de meus baús virtuais, entre TXTs e DOCs antigos..

DEZEMBRO, 2003


São apenas lágrimas, vai passar.

A dor da saudade eu até aguento
Mas a dor de saber
Que a tua dor sou eu
Me tira o sono
Me mata a fome
Me seca a sede
De viver
De acordar pra mais um dia
Mais um dia
Pra que?

Dá vontade de chutar o balde,
De largar tudo.
Deixar todos, fugir.
Mas fugir pra onde?
Qual lugar eu posso ir?
Responde!

Não, eu não posso fugir.
Minha vida não é só eu,
Ela mexe com outras vidas.
Se eu fugir em prantos
Causaria dor
Criaria feridas
Em muitos que eu amo
Tanto

O que fazer?
O que eu sempre fiz:
Jogo tudo no porão do peito
Tranco lá e sigo adiante.
Espero pelo próximo feito
E torço pra que o porão
Seja grande o bastante.

Eu devia era me acostumar
É sempre assim.
São apenas lágrimas,
Vai passar...
Um dia isso chega ao fim.