quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

guardanapo 03

"O barulho ensurdecedor
das vozes alheias
não diminui o silêncio
que tua falta faz."

local: não faço a mínima, com certeza um lugar BEM barulhento
data: também não faço a mínima, mas sei que faz muito tempo. Morava em Recife ainda
guardanapo: msg de texto no celular

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

guardanapo 02

o apreço apressa a pressa
de chegar
que eu já cansei
de vagar divagando devagar



quando: hoje
onde: no carro
guardanapo: memória mesmo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

guardanapo 01

Da nova série "guardanapo".
O verdadeiro.
O que dá nome a este blog.

Aquilo que escrevemos/compomos/criamos -enfim, e que nunca mais nos lembraríamos, não fosse o guardanapo de bar.
Nesta série (claro que apenas quando for possível), além do produto, terá também informações de data, local e o tipo de guardanapo utilizado.

data: não lembrada
local: não lembrado
guardanapo: mensagem de texto do celular.
conteúdo:
"Ah, mulheres!
Se todas fossem iguais a ti
Eu não poderia rir
De nenhuma delas."

Não lembro nem o que quis dizer com isso...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Tormenta

o cheiro do ar
escuridão ao dia
as nuvens a brigar
estrondosa sinfonia
medo
do que está por vir

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

quem mundo sou eu?


A solidão quando bate é como se eu estivesse em
outro mundo.
Um mundo desabitado, de cores e formas
minhas.

O vento sopra uma antiga e muito querida música em meus ouvidos e,
ao contrário de outras inúmeras vezes, essa solidão de agora me faz bem.
A melodia começa a remodelar o mundo
meu.
Olho ao redor, curioso,
observando tudo mudar,
ritmado,
conforme a música.

Me sinto estranho e, ao me ver,
também estou em mutação, me adequando a este novo ambiente.
Incrível a harmonia entre eu e o mundo.
De repente me sinto bem,
à vontade,
como quem visita um lugar repleto de lembranças antigas.

Um cheiro forte de nostalgia corta o ar.
E o respiro, inflando-me de sentidos e sentimentos.
Essa onda sensitiva espalha-se por meu novo corpo e estrapola-o, ganhando o mundo ao meu redor. Mas eu continuo sentindo-a, agora com uma amplitude espantosa.

É aí, no ápice da antiga melodia, que percebo que o próprio mundo
faz parte de mim.
E eu dele.
Somos um.

É bom estar sozinho, às vezes.
Faz-me conhecer a mim.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

soneto quebrado em saudade

Assim só,
Quem sabe...
No fim do mundo
Caindo a tarde

Torne algum dia
Enfim o vento
A soprar vagabundo
Lento

Que carregue consigo essa poesia
Pequena, singela, macia
Aos ouvidos dela
Distante

Que sopre forte, constante
Tal qual no barco a vela
Quanto mais ondas, insiste!

Talvez assim, quem sabe...
No cair do mundo, final da tarde
Eu deixe de ser triste
E só.

(Vinícius Galindo)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

ê privilégio...

Muitos reclamam de suas profissões, cada um querendo sofrer mais que o outro.
É incrível essa competição que as pessoas bem frequentemente fazem umas com as outras, onde o prêmio nada mais é que o título reconhecido por seu adversário derrotado: "é.. tu tá pior que eu mesmo.."
Não vou me aprofundar muito nessa discussão, vou, contrariando a regra geral de tentar sofrer o máximo possível (mesmo sabendo que é tudo dramatização exacerbada), gabar-me de minha profissão.

Poucos profissionais têm o privilégio de marcar uma reunião de negócios numa mesa bar. Pronto. Começa daí.

-Garçom, uma geladíssima, e dois copos. E então bixo, como é essa casinha aí que tu quer fazer?
-Pois é.. nada demais, quero algo bem simples, até porque tou sem muita grana, sabe?
-Ah cara, pode relaxar! Vamo fazer um projetinho bem simples, baratinho mas eficaz, tranquilo. Opa, obrigado chefe, traz o cardápio, por gentileza?
*tin-tin*
-Aaahh.. essa tá boa viu.. igual tua futura casinha: simples, barata e bem gostosa!

Depois de algumas outras geladas, trocando idéias entre algum filé, camarão ou fritas, sobre espaços, divisões e rotinas do cotidiano..

- Isso, bixo! assim mesmo, vê só, vou fazer um rabisco aqui, pra tu entender melhor
*caneta nanquin descartável e o bom e velho, sempre presente, guardanapo*

risco pra cá, risco pra lá...
-Taí! O que tu acha?
-Porra bixo! É isso mesmo! posso levar pra mostrar à Cláudia? Ela vai adorar...
-Não po, calma.. Isso é só um rascunho, tu não vai querer mostrar tua casa num guardanapo po! Deixa comigo.. eu levo pra casa e faço direitinho, bonitinho.. Te entrego amanhã mesmo, aí depois a gente acerta o restante.. me dá teu telefone!
-Beleza cara, tudo certo então. Garçom! mais uma que eu vou comemorar minha casa nova!

E no fim ele ainda me paga a conta, feliz da vida!