Essa eu desenterrei, remexendo num de meus baús virtuais, entre TXTs e DOCs antigos..
DEZEMBRO, 2003
São apenas lágrimas, vai passar.
A dor da saudade eu até aguento
Mas a dor de saber
Que a tua dor sou eu
Me tira o sono
Me mata a fome
Me seca a sede
De viver
De acordar pra mais um dia
Mais um dia
Pra que?
Dá vontade de chutar o balde,
De largar tudo.
Deixar todos, fugir.
Mas fugir pra onde?
Qual lugar eu posso ir?
Responde!
Não, eu não posso fugir.
Minha vida não é só eu,
Ela mexe com outras vidas.
Se eu fugir em prantos
Causaria dor
Criaria feridas
Em muitos que eu amo
Tanto
O que fazer?
O que eu sempre fiz:
Jogo tudo no porão do peito
Tranco lá e sigo adiante.
Espero pelo próximo feito
E torço pra que o porão
Seja grande o bastante.
Eu devia era me acostumar
É sempre assim.
São apenas lágrimas,
Vai passar...
Um dia isso chega ao fim.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Espiando um futuro
Geralmente isso acontece (ou é mais perceptível) quando passamos por mudanças mais substanciais em nossas vidas, muito embora também possa ocorrer num momento inusitado, coloquial, ou aparentemente menos significante. O fato é que, algumas vezes, nos vemos numa situação que nos permite brechar pelo buraco da fechadura da porta do tempo, e vislumbrar um possível futuro.
***
Eu girei a chave na fechadura e segurei a maçaneta, minha mão estranhando o formato daquele objeto. Foram anos fazendo a mesma coisa, noutro lugar. Empurrei de leve a porta e fiquei surpreso com o silêncio. Aquela não gemia como a outra. Achei graça em constatar que sentia falta de algo que sempre reclamei e, embora tivesse total condições de evitar (bastava trocar as dobradiças da antiga porta, na antiga casa), nunca o fiz.
A nova sala se apresentou então pra mim. Cores, sons e cheiros. Luz e espaço. Tudo era diferente.
Uma das muitas caixas espalhadas naquele chão de piso estranho, semi-aberta, revelava um velocípede, desmontado. E foi nessa hora que espiei um futuro.
Feliz da vida, eu fingia não alcançar em velocidade meu filho, já um pouco mais crescido do que hoje, que girava o pedal o mais rápido que podia, conduzindo sua pequena motocicleta pela sala, desviando dos móveis, conseguindo sorrir ainda mais do que eu.
Logo eu já estava de volta, a olhar as caixas. E agora tudo me parecia familiar. Aquela já era minha casa, e nela eu já tinha lembranças de um possível futuro.
***
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Eu girei a chave na fechadura e segurei a maçaneta, minha mão estranhando o formato daquele objeto. Foram anos fazendo a mesma coisa, noutro lugar. Empurrei de leve a porta e fiquei surpreso com o silêncio. Aquela não gemia como a outra. Achei graça em constatar que sentia falta de algo que sempre reclamei e, embora tivesse total condições de evitar (bastava trocar as dobradiças da antiga porta, na antiga casa), nunca o fiz.
A nova sala se apresentou então pra mim. Cores, sons e cheiros. Luz e espaço. Tudo era diferente.
Uma das muitas caixas espalhadas naquele chão de piso estranho, semi-aberta, revelava um velocípede, desmontado. E foi nessa hora que espiei um futuro.
Feliz da vida, eu fingia não alcançar em velocidade meu filho, já um pouco mais crescido do que hoje, que girava o pedal o mais rápido que podia, conduzindo sua pequena motocicleta pela sala, desviando dos móveis, conseguindo sorrir ainda mais do que eu.
Logo eu já estava de volta, a olhar as caixas. E agora tudo me parecia familiar. Aquela já era minha casa, e nela eu já tinha lembranças de um possível futuro.
***
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Nobel? só se for a cerveja mesmo.
Bela maneira de começar o dia...
Eu ainda terminava o café da manhã, quando ouvi a moça do telejornal matutino:
"-Obama ganha Prêmio Nobel da paz"
Fiz o óbvio, caí na risada. Mas logo em seguida, lembrei que aquele era um telejornal sério (tá, não vou discutir isso aqui, vocês entenderam), portanto, não se tratava de uma piada. Imediatamente à raiva, veio um sentimento bizarro de conforto: "afinal não é só o Brasil que é uma piada, o mundo todo o é".
Como é que pode esse sujeito receber o Nobel da paz? Pra mim, o prêmio perdeu toda -sim, absolutamente toda a credibilidade. Ficou muito pior que o Oscar. E discordo dos que digam que é radicalismo meu. Realmente é radicalismo, mas deles!
Pergunto novamente: como pode Obama ganhar qualquer prêmio relacionado à paz?
Deve ser porque ele é o primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, não?
Vamos lá, de novo: Como é que alguma notificação pode ser feita a qualquer governo americano, no sentido de taxá-lo como pacifista?
Tudo bem, vamos analisar, por mais absurdas que me possam parecer, as possíveis justificativas dessa palhaçada. Pra isso vou simular um debate entre as partes, que foi o que mais ou menos aconteceu em minha mente.
-Mas ele sequer tirou as tropas do Iraque!
-Ah, mas isso ele já anunciou que ia fazer. Até 2010, se não me engano, os estadunidenses deixam o país.
-É, devastado política, social, econômica e moralmente. Mas, tu já viu qual é o verdadeiro plano dos Estados Unidos?
-Hum.. deixa eu pesquisar um pouco
-Vê isso aqui ó: notícia antiga
-É, tudo bem que é um link do PCB, mas é bem a cara do povo estadunidense mesmo.
-Pois é, mas, mesmo assim... Vamos considerar que isso sirva de justificativa, que a comunidade internacional foi toda enganada, achando que os Estados Unidos iriam liberar mesmo o Iraque da opressão bélica imposta por eles. O detalhe é... nem isso ainda foi feito! É só um planejamento que -disse Obama que vai fazer. Como é que já deram o Nobel por isso?
-Ah, agora sou eu quem vou lhe mostrar algo: notícia atual
-E eu achava que não iria rir disso novamente.. Quer dizer que agora o Nobel premia por "agenda ambiciosa"? Não vou nem falar o tanto de gente que seria premiado, adotando esse critério. Pensa aí...
Pois muito bem, continuo com minha posição inicial. Pra mim, esse prêmio agora já não tem mais credibilidade nenhuma. Não tiro o reconhecimento por premiações passadas, tampouco digo que todos os futuros premiados não serão merecedores, mas eu já não dou crédito. Afinal, quem me garante que tal físico realmente mereceu? Que não havia outros melhores? Em que critérios eles se basearam? Eu não tenho conhecimento sobre o mundo da física pra saber, por isso, acreditando em bons critérios, achava que só ganhava o Nobel quem merecia. Depois disso, não dá mais. Não pra mim. Era melhor que fosse o Bono Vox mesmo, ou até mesmo Lula. Ainda seria ridículo, mas bem, bem menos.
No entanto, uma coisa é certa. Como dizem em Pernambuco, "-Esse menino é um danado mesmo." Tá todo mundo caindo na dele. Assim como eu já defendi a crise econômica como uma coisa boa para o mundo, no mesmo sentido eu preferiria outra era Bush no governo daquele país. Bem me lembro o quanto a era Clinton foi boa pro mundo: economia dos Estados Unidos de vento em popa, o resto do mundo devendo a eles. E o quanto a era Bush fez mal: Estados Unidos cada vez mais decadentes, principalmente quanto à sua imagem internacional (ou a verdadeira face sendo mostrada).
Realmente, obaTma é o cara...
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
"O telefone chamado, encontra-se fora da.. -clic!"
Muitos alegam odiá-los. Recusam-se a tê-los, romantizam. No entanto, coisa rara é achar alguém que, hoje em dia, nunca fez uso de um deles. E nisso eu sou chato. Fez uso? Então é útil, e não me venha falar besteira. Tudo bem que existem coisas que por ventura utilizamos e, não necessariamente, são lá de tanta utilidade. Afinal de contas, nessa nossa, a cada dia mais sedentária, vida, arrumamos utilidade pra quase qualquer coisa inútil.
Mas, voltando aos celulares, pobres coitados, eles são bem úteis sim. Aos muitos do primeiro parágrafo, não venham me dizer que orelhões são mais práticos. Ou os telefones fixos. Ao invés de ficarem os criticando, aproveitem que, por eles serem um exemplo dessa tecnologia desenfreada que engole-nos a todos com uma velocidade impressionante, nós podemos observar estes pequenos utilitários, desde seu surgimento, com bastante facilidade. Daí então eu proponho: façam isso e comparem-no a outros implementos tecnológicos, alguns sendo e outros não, alvos de rejeito ou repúdio. A máquina de datilografar, o computador, rádio, televisão, e-mail e internet, o próprio pai do celular, o telefone "fixo". Eles foram, assim que chegaram, ou algum pouco tempo depois, motivos de ataques? Mesmo por parte dos mais românticos, que preferem as coisas à moda antiga? Sobre estes eu já falei por aqui antes e não vou me alongar, mas o fato é que eu não consigo ver razão pra condenarem os celulares. Pra mim, eles são como um par de tênis, ou uma bicicleta, um lápis, uma vela ou uma lâmpada: um objeto tecnológico, criado para desempenhar uma função de utilidade para o ser humano.
E vou além: acho-os ótimos! Ficando melhores a cada dia. Reunindo num único, portátil, bonito (nem sempre, ok) e simples aparelho, diversas utilidades. Música, comunicação, agenda, calculadora, diversão, televisão, e tantas outras funções. Como uma coisa dessas pode ser ruim?
O que vejo nessa repúdia de alguns é que ela não diz respeito ao aparelho celular. É a mesma rejeição com relação a diversos outros equipamentos, como carro, TV (a cabo, principalmente), roupas e outros. Ao meu ver, trata-se de uma insatisfação com as próprias pessoas, com a sociedade e suas atitudes, valores, formas de uso e dependência para com tais utilitários. O telefone móvel nada tem a ver com isso. Exemplo:
*******
Haviam marcado um chopinho, depois do expediente, no boteco de sempre. Ficava no meio do caminho pra ambos. Ligam-se nos celulares, pra confirmar o programa.
-Alou..
-Setor de contabilidade, André, boa tarde.
-Acorda menino! Eu liguei pro teu celular... e aí, muito trabalho é?
-Cara, hoje o dia tá corrido viu.
-Que conversa, eu bem sei que o tal do excel aí faz tudo pra tu.
-Ah quem me dera. Como é, combinado? Saindo daqui, vou direto pra lá, devo chegar perto das dezenove, por conta do trânsito. Tu chega antes né?
-Chego sim, vou a pé. Já te falei pra largares esse carro, bixo. De lá pego um ônibus, em vinte minutos estou em casa. No teu caso, seriam quinze, e sem precisar driblar a polícia, com seus bafômetros opressores!
-Nem me fale, que me criaram uma blitz no caminho de casa! Agora, por conta do desvio que faço pra evitá-los, perco outros quinze minutos. E pare de rir!
-Tudo bem, tudo bem, um dia te convenço sobre o carro. Ei, vou desligar que o chefe apareceu aqui na área e eu tenho que trabalhar, pois o computador não faz tudo por mim. Quando chegares, me procura, já estarei no terceiro chopp.
-Isso, faz inveja. Escreves qualquer coisa pra publicar no jornal, coloca uma foto bonitinha e pronto, pode ir pra casa. Isso que é moleza de trabalho. Vai, abraço e até mais tarde.
Um pouco antes das vinte, por conta do trânsito, André finalmente encontra uma vaga pra estacionar o carro e entra no boteco, já lotado. Saca de imediato o pequeno aparelho do bolso e disca.
-Daniel? Cheguei aqui agora. Pára de se fingir de bêbado. Eu peguei muito trânsito e foi difícil arrumar vaga. Cadê tu?
Uma batida na perna direita de André o faz virar o rosto. Lá estava Daniel, exatamente ao seu lado, sentado numa mesa, com dois copos de chopp.
*******
Eita que me deu uma vontade de tomar um chopp agora...
Bom, voltando ao assunto. Alguém aí se identificou nessa história? Tudo bem que eu me empolguei um pouco e, admito, foi um tanto difícil interrompê-la. Mas, o lance de chegar e ligar, perguntando pelo outro, isso é insano. Os dois já tinham combinado local e hora. O tal do André sequer correu a vista pelo boteco. Foi logo no vício e pegou o celular. Isso sim, eu aceito que condenem. Também o faço. E isso foi só um exemplo: pessoas que nunca desligam o aparelho, mesmo quando dormem; que quase entram em pânico quando veem o ícone de "sem sinal" na tela do celular; que ficam indignadas quando alguém não atende o celular, ou esquece o mesmo em casa... Essas atitudes eu também condeno. Mas repito, isso não tem nada a ver com o pobre aparelho celular, coitado. Dirijam suas críticas aos alvos certos, por favor.
Hum.. toda essa conversa me deu sede. Alguém quer tomar um chopp? Qualquer coisa me liga.
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