Podem me chamar de doido, mas, vejo um lado dessa crise mundial que me faz pensar nela como a melhor coisa que aconteceu à humanidade nos últimos séculos. Algo que nos obriga a questionar certos posicionamentos e, além disso, tomar, de fato, várias atitudes. Muitas delas, necessariamente drásticas. Creio que essa crise, em muito aumentada por ser concomitante a "toda essa história de aquecimento global", não está, ainda, sendo levada a sério. Novamente, não, não sou doido. O que estão fazendo em relação a essa crise? Muitas coisas, sim. Muitas, muitas coisas. Todas erradas.
Essa crise não é pioneira. Já tivemos exemplos dela num passado próximo, e estamos cometando os mesmos erros de antes. Repito a pergunta: o que estão fazendo pra "resolver" essa crise? E respondo: tudo o que não deveriam fazer. Ou tudo o que a fortalece. É preciso se perguntar o porquê dela acontecer. O modelo (não só econômico, mas social, religioso, cultural, político...) que a humanidade vem vivendo, tem como destino único e inalterável essa tal dessa crise. E o que fazemos pra acabá-la? Tentamos reestabelecer o mesmo modelo, que, como justificativa à nossa tentativa, encontra-se apenas "abalado" momentaneamente.
Não vemos a dádiva que é essa crise. Ela que acabe com tudo, assim a gente começa um modelo que preste, finalmente.
As gigantes dos automóveis são as primeiras a cair. Porque será? Talvez pelo fato de o carro ser o maior e mais representativo ícone desse modelo insano de vida que nós insistimos em empregar. O automóvel se tornou uma das maiores (senão a maior) desgraças que nós seres humanos já conseguimos criar. Incrivelmente poluente (pessoas, não pensem "apenas" nos combustíveis, lembrem-se do processo de fabricação, dos materiais utilizados em sua manufatura, do que ele passou a representar econômica e socialmente, etc), de durabilidade ínfima, de quantidade praticamente obrigatória a um por pessoa, e o que é pior, na grande maioria das vezes, completamente dispensável. Eu passaria muito mais tempo falando sobre carros, mas deixo pra outro dia.
O fato é que a crise, como um enviado divino, ou da natureza, do cosmos, ou qualquer outra origem que o deixe mais suscetível a acreditar, tenta, com todas as suas forças (e elas são muitas) derrubar essa insanidade mundial à qual nos submetemos os humanos. E o que fazemos? Tentamos impedi-la.
Sei que muitos, milhares, milhões, sofreriam e morreriam durante o processo "natural da crise", mas talvez fosse mais inteligente se investíssemos em diminuir esse estrago durante a transição a um novo modelo de vida, do que tentar a todo custo impedi-lo de surgir, defendendo assim uma loucura mundial, que grita há tempos que nos dizimará a todos em breve, muito breve.