segunda-feira, 11 de maio de 2009

nostalgia

Ou: a vontade de querer de volta o que passou.
Por que será que todos nós, em algum momento pelo menos, sentimos isso? E mais: porque, em seguida, condenamos tanto os tempos vindouros, ou o "pós-nosso tempo"? Me é de fato intrigante essa história de achar que tempo bom era o meu tempo. Quando a gente brincava era correndo pela rua, e não à frente de computadores. Pro meu pai, já isso era ruim. Muito melhor era o tempo dele, quando caçava passarinhos na mata vizinha à sua casa. Não sei o que meu avô diria sobre isso, mas tendo a crer que ele continuaria a onda nostálgica, preferindo seu tempo. Ora, eu não sei nem nome de passarinhos de gaiola, que inclusive já nem são tão do meu tempo, quanto mais identificar um, em pleno vôo no céu, ir além e ainda atirar no pobre, quanta maldade! "Mas no meu tempo não era maldade, havia muitos, e caçávamos pra comer, não pra nos divertir ou vendê-los em gaiolas", argumenta meu pai. Ok, tudo bem, não vou contra-argumentar dizendo que ele não precisava daquilo pra matar a fome, portanto  era sim diversão, até porque minha intenção não é discutir sobre passarinhos, caçadas ou maldades, nem decidir qual o melhor dos tempos, ou qual o correto e o errado. Apenas refletir o porquê desse sentimento meio doido.
Meio doido sim, pois enaltecemos muitas, muitas coisas que temos hoje e não tínhamos antes, chegamos a bater no peito com orgulho ao falar das mudanças que conseguimos, às duras penas, sejam elas sociais, econômicas, religiosas, culturais, ou qualquer outra. Mas, sempre tem aqueles momentos em que nada disso vale, porque bom mesmo era aquela época em que vivemos -e que já passou. Pra mim, tudo bem em achar bom momentos vividos, revivê-los na memória, sentir saudade, isso todo mundo faz e eu nem acho nada demais, "normal". O lance que me incomoda é porque sempre preferimos o nosso tempo que passou ao atual, ou o futuro. Como sempre lamentamos que "hoje em dia" tudo (ou quase tudo) é pior que antes, soltando algumas pérolas, em muitos casos, contraditórias. "Na minha época não tinha chuteira com cravo disso ou daquilo, ou camisa que absorvia o suor... -aquilo sim, era jogar futebol." "Nah.. em meu tempo não tinha isso de google e internet não, a gente ia pesquisar era na biblioteca, um templo de cultura, isso sim. Nós líamos, e líamos livros!"
O escritor relutou muito pra deixar de lado a máquina de datilografar, em prol do tal de computador pessoal. Só eu, e só do Sabino, li umas três crônicas falando dessa entre outras tecnologias, para ele perturbantes. Tecnologia à parte, e voltando às pérolas "em meu tempo sim, éramos românticos. Íamos namorar na praça, mãos dadas só com permissão dos pais. Beijo era coisa séria." Ou "todos iam pra missa, aquilo era comum, e não raridade", e essa então: "já não se faz música como antigamente, de qualidade. Hoje em dia é tudo lixo!"
O melhor é que eu sempre ouvi isso da geração dos meus pais, e me via vítima, pensando "peraí, também né assim não" mas, agora, vejo que também faço o mesmo, com as novas gerações. E creio que estas também o farão. -O que é isso? 
Lutamos tanto pra mudar as coisas, de forma que fiquem como achamos que é melhor, mas acabamos querendo que tudo volte a ser como era antes. Ou pior: não queremos que volte, mas ainda assim achamos que antes é que eram bons tempos. Será isso fruto da amargura de lembrarmos mais a cada dia de nosso encontro inevitável? Tentarmo-nos agarrar selvagemente ao passado, na vã tentativa de voltar a ele, ficando portanto o mais longe possível do tal encontro? Não sei.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

peguei na net [1]

Opa,
Meudeus.. há quanto tempo!
Inaugurando uma nova seção [vide título], um poeminha que li pelo mundo da internet:


Nem sequer uma rosa
Que ela um dia colheu
Num jardim esquecido
E sorrindo me deu
Nem sequer essa rosa
Merecia morrer assim
Pelo amor que nascia
Já tão perto do fim

Bom seria se pelo amor
Nunca mais se colhesse a flor
Pois que culpa uma rosa tem
Se alguém gosta de alguém?

Será muito mais lindo
Quando a gente aprender
Cada vez que se ama
Dar a flor sem colher
Nosso amor pequenino
Nem devia dizer-se amor
Nosso amor não valia
Que morresse uma flor

Luis Carlos Paraná - Nem sequer uma rosa

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

primeiro do décimo

Ele, inconfundível, dá as caras.
Porque ninguém clama por felicitações hoje?
Tenho certeza que nunca esqueceria.
Talvez sim na maior parte do dia, mas no fim da tarde, outubro se revela, infalível.
Pra mim, o último.
Outros, só de visita.
Como poderia sentir saudade disso?
Não sei.
Mas começo a acreditar que terei.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

mais do tempo

Eita que faz tempo que não mexo aqui!

Bom, esses versinhos foram criados em Riscán, um mundo fantástico, e serviram de introdução para um novo capítulo de uma história fantástica. Fantasia à parte, achei legal. E serve pra esse nosso mundo também, perfeitamente.


O tempo, impassível,
continua a andar.
Seus passos lentos, devagar.
Passando por tudo e por todos.
Sem piedade ou drama,
ou amor.
Insensível, apenas passa,
nada mais.
Incompreensível.
Seu rastro, porém, é devastador.
E as marcas que deixa são eternas

quarta-feira, 28 de maio de 2008

e viva o photoshop

Pra quem, como eu, não sabe pintar de verdade.

Photobucket
crepúsculo em saudade

sexta-feira, 16 de maio de 2008

a solitária natureza do tempo

O tempo é quem sofre, coitado.
Todos reclamam de sua falta,
mas ninguém o quer consigo.
Ficam a sós com ele, só um pouquinho...
desperdiçam-no logo com outras coisas.

segunda-feira, 17 de março de 2008

na tranquilidade...


Férias chegando.. vai ser só alegria!
amigos, parentes..
baixar um pouco o nível da saudade.