segunda-feira, 16 de agosto de 2010

baú digital [02]

JULHO, 2002

Quanto Amor Ainda Resta

Quanto amor ainda resta?
Perguntei-me ao coração
Na espera por resposta
Em completa solidão
Lembranças bateram à porta
Entraram e fizeram a festa

Quanto amor ainda resta?
Da mente certa o peito duvida
A luz que falta cega
Renova a dor, rouba sentidos

No doce aguardo, puro rancor
Resposta não veio, ainda perdido
Dúvida se fez completa

Quanto amor ainda resta?
Ainda dúvida
Resposta não se ouve, apenas sente
A pura verdade, de quem não mente
De forma lúcida
Não tem pressa

Mas responde
C'uma pureza sábia:

Infinita é minha fonte
Bebe de minha alma
Quem se interessa!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

regresso

Bendito o desenfreio cotidiano
Que obriga a mente ao que se deve
Ofuscando-as
Tristeza e saudade

sexta-feira, 9 de julho de 2010

lembranças

Os clones de cada dia, nos barzinhos da cidade;
O quiosque na beira do rio;
O carro à gás que esquentava os pés;
O RPG da terça à noite
O rum-com-coca-e-torcida-sabor-churrasco, na calçada;
O torresmo do riverside;
As gravações no quarto fechado, abafado, no microfone do PC antigo;
O namarra do fim de semana;
A moto que já atravessou todo o Recife -numa única noite (e com garupa);
O 'gran maquinista' do grande amigo;
As 'reuniões' estudantis regadas a cerveja;
A jukebox que só aumentava o som quando tocava forró;
A bagunça no estúdio;
Os churrascos;
Os aniversários;
Tudo o mais...

Ela ignora.
A solidão...
Sempre dá as caras.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Copa mundo (lado B)

E, como não podia ser diferente, me rendo em falar sobre a copa do mundo (e suas implicações/complicações/ou simplesmente opiniões)

-Cá estou, no deserto do mundo.

Não se ouve a conversa típca -e barulhenta- dos guardadores de carro. Não se ouve sequer os carros! Aliás, hei de registrar esse dia memorável: consegui estacionar numa das 6 vagas mais disputadas da região, quanta alegria!
Isso é copa do mundo, isso é Brasil...
Enquanto o país inteiro escolhe entre defender o treinador sem educação e a mentira/manipulação midiática (tão característica nesse mesmo país, há que se dizer), cá estou, no deserto do mundo, trabalhando.

Nem mesmo o Titio Walter o está, sortudo!

Sem me aprofundar na discussão da validade ou não de tamanha representação social como feriado (-será que o corpus christi é mais válido que os jogos do Brasil?), jogo essa conversa fiada na blogosfera porque, afinal de contas, me ajuda a passar o tempo.

Um abraço às minhas irmãs: almas solitárias nesse deserto, em dia de hoje.

PS: é bem verdade que ouvi na rua agora uma vuvuzela, mas também recebi dois e-mails: não estou sozinho.

sexta-feira, 12 de março de 2010

da preguiça e seus demônios

Ainda hoje recebi por e-mail um texto encaminhado do Carta Maior que fala sobre como age a mídia com Cuba.
Lembrei-me de uma calorosa conversa num bar, regada a chopp e chorinho, entre dois amigos que estavam em minha mesa, de opiniões opostas sobre a ilha. Tenho lá minhas tendências e portanto não comentarei sobre a discussão em si. O fato é que eu não pude participar da mesma.
Quem me conhece pode não acreditar, afinal o cenário possuía tudo o que eu poderia querer (chopp, chorinho e um tema polêmico? perfeito!), no entanto foi o que aconteceu: eu fiquei de fora da conversa.
Por que? Eu não tinha informações pra participar. Claro que as tinha genericamente, além de opinião pessoal e tal. Mas os dois citavam coisas, pessoas, artigos... -podiam até citar algo que eu, particularmente, acho inválido, ou até mentirem, não sei. Mas eu, nem isso podia (posto que desconsidero a opção de mentir). Então, ficava lá, concordando ou discordando apenas, sobre aquilo que os 'entendidos' falavam.
Na ocasião, refiz uma nota mental de que eu deveria me informar mais, e melhor. Não faço idéia de quantas vezes ainda, ou antes, já refiz a mesma nota, e nunca a pus em prática.
Eis que lembrei-me agora de tantas outras coisas que me disse que faria, e nada. Passou-se período de adaptação à mudança, passou-se falta de tempo no dia-a-dia, final e começo de ano, e cá continuo, inerte. Por que? Sei lá, preguiça.
Sim, penso ser isso, pois, a exemplo da matéria que me referi no começo desse post, quando faço as coisas que me-prometi-que-faria-e-não-fiz, sempre me sinto bem. E sim, eu sou preguiçoso mesmo. Às vezes, e/ou pra certas coisas, só funciono 'no tranco'.
Que seja, dou-me o tranco eu mesmo!
(acabei de assinar a impressa Caros Amigos e a digital Carta Maior, além de adicionar à minha leitura internética cotidiana a Conversa Afiada)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

pingo d'ouro


E assim me alento, usando os dentes
Nessa vã e besta vingança
Toma-lhe vida!
Quem está mastigando agora?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

fim de ano

Eu sei que é clichê, mas... Quer melhor época pra isso do que fim-de-ano?

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente
Autor desconhecido por mim

Acreditemos, pois.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Felizes são os ignorantes?

Às vezes me pego afirmando a mim mesmo que a ignorância anda de mãos dadas com a felicidade. Minha racionalidade, obviamente, logo protesta e não aceita isso de forma alguma. No entanto, não consegue estabelecer argumentos convincentes, afinal a sabedoria popular me parece de fato bastante sábia ao dizer "o que os olhos não veem, o coração não sente". Penso então nos menos informados, ou nos mais alienados, e os comparo com seus opostos: aqueles que têm acesso à 'informação verdadeira', ou que sabem filtrar as enormes doses de mentiras descaradas que nos são empurradas goela abaixo, diariamente, por quase todo e qualquer mecanismo de mídia que atua no país. E pergunto: quem é mais feliz?
De um lado, aquele que nada sabe da 'realidade do mundo', que não se preocupa 'o que deveria' com o aquecimento global, a crise econômica ou a decadência cultural, social e intelectual na qual vivemos. O que se restringe à rotina de 40 horas semanais de trabalho, nas quais se diverte com os colegas contando piadas, mostrando ou vendo o vídeo engraçado do momento no youtube, ou ainda escutando o hit atual nas rádios, sem se preocupar se ele é idêntico ao anterior ou se tem qualidade musical e, menos ainda, ao que a letra da música se refere. Que acompanha diariamente a novela ou o reality da vez, que vai regularmente à igreja ou espera ansiosamente pelo fim de semana pra tomar aquela gelada ouvindo outras tantas vezes o mesmo hit, com a mesma despreocupação, entre churrasco e futebol, praia ou piscina, sempre recheado de futilidade, pura e simples, até chegar a mais uma segunda-feira. E a isso ele se resume.
No outro corner, o sempre antenado, culto, esclarecido e ávido por informação. Aquele que sabe receber uma opinião e tecer uma crítica, que tem poder de observação e avaliação, que busca fontes alternativas e menos tendenciosas de informação, que realmente se preocupa com o mundo, política, economia, sociedade e cultura. Que briga por seus direitos, que avalia por tanto tempo e com tantos argumentos a 'simples' possibilidade de deixar um filho nesse mundo. Que se vê a cada dia mais envolvido por essa trama, da qual não consegue escapar e que se auto-alimenta mais e mais, envolvendo a todos os que, como ele, consegue, inutilmente, ver a 'realidade'.
Quem é mais feliz?
Lembro de Matrix. Vale a pena escolher a pílula vermelha? Pra que saber da realidade, se não posso mudá-la? E, antes que me acusem, não é pessimismo. Ela até pode ser transformada, mas não por mim. No mínimo, por pura, simples e inegável falta de tempo. Eu não viveria o suficiente pra ver tal mudança. Porque não, então, engolir a azul mesmo e acreditar que o flamengo hoje tenta ser hexa, que essa nova gripe é mesmo uma epidemia apocalíptica e incontrolável (salvo se tomarmos aquele único remédio eficaz, fabricado por aquele único laboratório), que, em tempos pós-modernos, tudo é arte, ou música e, portanto, válido? Aos da pílula vermelha, o mundo é muito cruel e injusto, e somos todos impotentes. A vida se apresenta cada vez mais difícil, exaustiva e desestimulante. Frustrante. Aos da azul, o mundo simplesmente é. E a vida... bom, a vida passa.
No filme, a pílula é oferecida aos que não sabem da realidade e, uma vez tendo experimentado a vermelha, não há mais volta. Mas curiosidade parece sempre acabar falando mais alto e todos (ou a grande maioria) se imaginam, claro, escolhendo a vermelha. Mas eu me pergunto: e se a escolha fosse oferecida novamente, tempos depois, aos que escolheram a vermelha? Eles continuariam com a mesma escolha? Eu escolheria a azul?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

guardanapo 04

Gostava quando aplaudiam seu canto,
mas não tinha coragem de admitir
que por isso cantava.
Não achava que merecia os aplausos.

Local: não lembro.
Data: 23/09/2009.
Guardanapo: mensagem de texto no celular.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E viva o backup -nova série: "baú digital"

Essa eu desenterrei, remexendo num de meus baús virtuais, entre TXTs e DOCs antigos..

DEZEMBRO, 2003


São apenas lágrimas, vai passar.

A dor da saudade eu até aguento
Mas a dor de saber
Que a tua dor sou eu
Me tira o sono
Me mata a fome
Me seca a sede
De viver
De acordar pra mais um dia
Mais um dia
Pra que?

Dá vontade de chutar o balde,
De largar tudo.
Deixar todos, fugir.
Mas fugir pra onde?
Qual lugar eu posso ir?
Responde!

Não, eu não posso fugir.
Minha vida não é só eu,
Ela mexe com outras vidas.
Se eu fugir em prantos
Causaria dor
Criaria feridas
Em muitos que eu amo
Tanto

O que fazer?
O que eu sempre fiz:
Jogo tudo no porão do peito
Tranco lá e sigo adiante.
Espero pelo próximo feito
E torço pra que o porão
Seja grande o bastante.

Eu devia era me acostumar
É sempre assim.
São apenas lágrimas,
Vai passar...
Um dia isso chega ao fim.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Espiando um futuro

Geralmente isso acontece (ou é mais perceptível) quando passamos por mudanças mais substanciais em nossas vidas, muito embora também possa ocorrer num momento inusitado, coloquial, ou aparentemente menos significante. O fato é que, algumas vezes, nos vemos numa situação que nos permite brechar pelo buraco da fechadura da porta do tempo, e vislumbrar um possível futuro.

***
Eu girei a chave na fechadura e segurei a maçaneta, minha mão estranhando o formato daquele objeto. Foram anos fazendo a mesma coisa, noutro lugar. Empurrei de leve a porta e fiquei surpreso com o silêncio. Aquela não gemia como a outra. Achei graça em constatar que sentia falta de algo que sempre reclamei e, embora tivesse total condições de evitar (bastava trocar as dobradiças da antiga porta, na antiga casa), nunca o fiz.
A nova sala se apresentou então pra mim. Cores, sons e cheiros. Luz e espaço. Tudo era diferente.
Uma das muitas caixas espalhadas naquele chão de piso estranho, semi-aberta, revelava um velocípede, desmontado. E foi nessa hora que espiei um futuro.
Feliz da vida, eu fingia não alcançar em velocidade meu filho, já um pouco mais crescido do que hoje, que girava o pedal o mais rápido que podia, conduzindo sua pequena motocicleta pela sala, desviando dos móveis, conseguindo sorrir ainda mais do que eu.
Logo eu já estava de volta, a olhar as caixas. E agora tudo me parecia familiar. Aquela já era minha casa, e nela eu já tinha lembranças de um possível futuro.
***

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel? só se for a cerveja mesmo.

Bela maneira de começar o dia...
Eu ainda terminava o café da manhã, quando ouvi a moça do telejornal matutino:
"-Obama ganha Prêmio Nobel da paz"
Fiz o óbvio, caí na risada. Mas logo em seguida, lembrei que aquele era um telejornal sério (tá, não vou discutir isso aqui, vocês entenderam), portanto, não se tratava de uma piada. Imediatamente à raiva, veio um sentimento bizarro de conforto: "afinal não é só o Brasil que é uma piada, o mundo todo o é".

Como é que pode esse sujeito receber o Nobel da paz? Pra mim, o prêmio perdeu toda -sim, absolutamente toda a credibilidade. Ficou muito pior que o Oscar. E discordo dos que digam que é radicalismo meu. Realmente é radicalismo, mas deles!
Pergunto novamente: como pode Obama ganhar qualquer prêmio relacionado à paz?
Deve ser porque ele é o primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, não?
Vamos lá, de novo: Como é que alguma notificação pode ser feita a qualquer governo americano, no sentido de taxá-lo como pacifista?
Tudo bem, vamos analisar, por mais absurdas que me possam parecer, as possíveis justificativas dessa palhaçada. Pra isso vou simular um debate entre as partes, que foi o que mais ou menos aconteceu em minha mente.

-Mas ele sequer tirou as tropas do Iraque!
-Ah, mas isso ele já anunciou que ia fazer. Até 2010, se não me engano, os estadunidenses deixam o país.
-É, devastado política, social, econômica e moralmente. Mas, tu já viu qual é o verdadeiro plano dos Estados Unidos?
-Hum.. deixa eu pesquisar um pouco
-Vê isso aqui ó: notícia antiga
-É, tudo bem que é um link do PCB, mas é bem a cara do povo estadunidense mesmo.
-Pois é, mas, mesmo assim... Vamos considerar que isso sirva de justificativa, que a comunidade internacional foi toda enganada, achando que os Estados Unidos iriam liberar mesmo o Iraque da opressão bélica imposta por eles. O detalhe é... nem isso ainda foi feito! É só um planejamento que -disse Obama que vai fazer. Como é que já deram o Nobel por isso?
-Ah, agora sou eu quem vou lhe mostrar algo: notícia atual
-E eu achava que não iria rir disso novamente.. Quer dizer que agora o Nobel premia por "agenda ambiciosa"? Não vou nem falar o tanto de gente que seria premiado, adotando esse critério. Pensa aí...

Pois muito bem, continuo com minha posição inicial. Pra mim, esse prêmio agora já não tem mais credibilidade nenhuma. Não tiro o reconhecimento por premiações passadas, tampouco digo que todos os futuros premiados não serão merecedores, mas eu já não dou crédito. Afinal, quem me garante que tal físico realmente mereceu? Que não havia outros melhores? Em que critérios eles se basearam? Eu não tenho conhecimento sobre o mundo da física pra saber, por isso, acreditando em bons critérios, achava que só ganhava o Nobel quem merecia. Depois disso, não dá mais. Não pra mim. Era melhor que fosse o Bono Vox mesmo, ou até mesmo Lula. Ainda seria ridículo, mas bem, bem menos.

No entanto, uma coisa é certa. Como dizem em Pernambuco, "-Esse menino é um danado mesmo." Tá todo mundo caindo na dele. Assim como eu já defendi a crise econômica como uma coisa boa para o mundo, no mesmo sentido eu preferiria outra era Bush no governo daquele país. Bem me lembro o quanto a era Clinton foi boa pro mundo: economia dos Estados Unidos de vento em popa, o resto do mundo devendo a eles. E o quanto a era Bush fez mal: Estados Unidos cada vez mais decadentes, principalmente quanto à sua imagem internacional (ou a verdadeira face sendo mostrada).
Realmente, obaTma é o cara...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Passarinho


Me canta
De amor
Canção
Me conta
Da dor
Solidão
Se encontra
No céu

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

pescaria













Não.
Não hoje.
Não se dão tempo.
Não pra isso.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"O telefone chamado, encontra-se fora da.. -clic!"

Muitos alegam odiá-los. Recusam-se a tê-los, romantizam. No entanto, coisa rara é achar alguém que, hoje em dia, nunca fez uso de um deles. E nisso eu sou chato. Fez uso? Então é útil, e não me venha falar besteira. Tudo bem que existem coisas que por ventura utilizamos e, não necessariamente, são lá de tanta utilidade. Afinal de contas, nessa nossa, a cada dia mais sedentária, vida, arrumamos utilidade pra quase qualquer coisa inútil.
Mas, voltando aos celulares, pobres coitados, eles são bem úteis sim. Aos muitos do primeiro parágrafo, não venham me dizer que orelhões são mais práticos. Ou os telefones fixos. Ao invés de ficarem os criticando, aproveitem que, por eles serem um exemplo dessa tecnologia desenfreada que engole-nos a todos com uma velocidade impressionante, nós podemos observar estes pequenos utilitários, desde seu surgimento, com bastante facilidade. Daí então eu proponho: façam isso e comparem-no a outros implementos tecnológicos, alguns sendo e outros não, alvos de rejeito ou repúdio. A máquina de datilografar, o computador, rádio, televisão, e-mail e internet, o próprio pai do celular, o telefone "fixo". Eles foram, assim que chegaram, ou algum pouco tempo depois, motivos de ataques? Mesmo por parte dos mais românticos, que preferem as coisas à moda antiga? Sobre estes eu já falei por aqui antes e não vou me alongar, mas o fato é que eu não consigo ver razão pra condenarem os celulares. Pra mim, eles são como um par de tênis, ou uma bicicleta, um lápis, uma vela ou uma lâmpada: um objeto tecnológico, criado para desempenhar uma função de utilidade para o ser humano.
E vou além: acho-os ótimos! Ficando melhores a cada dia. Reunindo num único, portátil, bonito (nem sempre, ok) e simples aparelho, diversas utilidades. Música, comunicação, agenda, calculadora, diversão, televisão, e tantas outras funções. Como uma coisa dessas pode ser ruim?
O que vejo nessa repúdia de alguns é que ela não diz respeito ao aparelho celular. É a mesma rejeição com relação a diversos outros equipamentos, como carro, TV (a cabo, principalmente), roupas e outros. Ao meu ver, trata-se de uma insatisfação com as próprias pessoas, com a sociedade e suas atitudes, valores, formas de uso e dependência para com tais utilitários. O telefone móvel nada tem a ver com isso. Exemplo:

*******
Haviam marcado um chopinho, depois do expediente, no boteco de sempre. Ficava no meio do caminho pra ambos. Ligam-se nos celulares, pra confirmar o programa.

-Alou..
-Setor de contabilidade, André, boa tarde.
-Acorda menino! Eu liguei pro teu celular... e aí, muito trabalho é?
-Cara, hoje o dia tá corrido viu.
-Que conversa, eu bem sei que o tal do excel aí faz tudo pra tu.
-Ah quem me dera. Como é, combinado? Saindo daqui, vou direto pra lá, devo chegar perto das dezenove, por conta do trânsito. Tu chega antes né?
-Chego sim, vou a pé. Já te falei pra largares esse carro, bixo. De lá pego um ônibus, em vinte minutos estou em casa. No teu caso, seriam quinze, e sem precisar driblar a polícia, com seus bafômetros opressores!
-Nem me fale, que me criaram uma blitz no caminho de casa! Agora, por conta do desvio que faço pra evitá-los, perco outros quinze minutos. E pare de rir!
-Tudo bem, tudo bem, um dia te convenço sobre o carro. Ei, vou desligar que o chefe apareceu aqui na área e eu tenho que trabalhar, pois o computador não faz tudo por mim. Quando chegares, me procura, já estarei no terceiro chopp.
-Isso, faz inveja. Escreves qualquer coisa pra publicar no jornal, coloca uma foto bonitinha e pronto, pode ir pra casa. Isso que é moleza de trabalho. Vai, abraço e até mais tarde.

Um pouco antes das vinte, por conta do trânsito, André finalmente encontra uma vaga pra estacionar o carro e entra no boteco, já lotado. Saca de imediato o pequeno aparelho do bolso e disca.
-Daniel? Cheguei aqui agora. Pára de se fingir de bêbado. Eu peguei muito trânsito e foi difícil arrumar vaga. Cadê tu?
Uma batida na perna direita de André o faz virar o rosto. Lá estava Daniel, exatamente ao seu lado, sentado numa mesa, com dois copos de chopp.
*******

Eita que me deu uma vontade de tomar um chopp agora...
Bom, voltando ao assunto. Alguém aí se identificou nessa história? Tudo bem que eu me empolguei um pouco e, admito, foi um tanto difícil interrompê-la. Mas, o lance de chegar e ligar, perguntando pelo outro, isso é insano. Os dois já tinham combinado local e hora. O tal do André sequer correu a vista pelo boteco. Foi logo no vício e pegou o celular. Isso sim, eu aceito que condenem. Também o faço. E isso foi só um exemplo: pessoas que nunca desligam o aparelho, mesmo quando dormem; que quase entram em pânico quando veem o ícone de "sem sinal" na tela do celular; que ficam indignadas quando alguém não atende o celular, ou esquece o mesmo em casa... Essas atitudes eu também condeno. Mas repito, isso não tem nada a ver com o pobre aparelho celular, coitado. Dirijam suas críticas aos alvos certos, por favor.
Hum.. toda essa conversa me deu sede. Alguém quer tomar um chopp? Qualquer coisa me liga.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pra passar o tempo

Uma atividade divertida e que eu recomendo é a de ler blogs pela internet afora. É impressionante a quantidade de pessoas que publicam as mais variadas coisas na rede mundial. Blogs de amigos e conhecidos é o que, penso eu, a maioria das pessoas lê no dia-a-dia. Mas aqui vai a dica de uma "técnica" que eu utilizo e acho bem divertida. A maioria (se não todos) os provedores gratuitos, como o blogspot ou o wordpress, tem uma barra comum a todos os seus blogs. Na barrinha do blogspot, por exemplo, existe um link "próximo blog" e essa é a dica. O link direciona a outro blog do mesmo provedor. Eu não sei se a escolha pelos endereços do redirecionamento segue alguma ordem, mas pra mim ela é completamente aleatória, e aí está a diversão. São blogs do mundo inteiro e eu vou clicando e clicando, lendo os que me parecem interessantes (ou os que entendo o idioma).
Quem nunca fez isso não imagina o que se pode encontrar na blogosfera. Relatos de viagens, venda de cds e dvds piratas, noticiários dos mais diversos assuntos ou mesmo blogs abandonados, com última postagem datada de anos atrás, vê-se de quase tudo. Descobri, por exemplo, que existem "porta-absorventes", no blog de uma artesã, que os cães enxergam sim em cores e conseguem diferenciá-las, mas de forma mais limitada que nós, humanos; acompanhei por alguns minutos o cotidiano de um morador de Nova Iorque que retrata sua vivência da cidade em fotos e textos e cliquei o mais rápido que pude no botão de "próximo blog", com medo do que poderia ver numa página, após ler a descrição de sua proprietária:

"Na Integra Sou uma mulher, com jeitinho de menina que não mede palavras ao fazer, falar e principalmente escrever o que realmente pensa, e para mim não tem dia nem hora! Quando estou com lápis e papel na mão eu fico louca, é como se a ponta do lápis tiver se vida própria e o desejo de expressar tudo o que eu penso é mais forte do que eu."

(detalhe para o "tiver se") Ok, eu assumo, foi puro preconceito, mas, quem disse que não sou preconceituoso? Quem visse as fotos da tal no referido blog, com caras, poses e bocas, me entenderia -e teria medo também!
Vi ainda, em outros blogs, um inusitado "jardim para carros" em São Francisco, EUA e uma sandália de salto alto sem o salto!

Alguns blogs, não sei como, conseguem tirar a barrinha do blogspot, mas não tem problema, basta voltar a página pelo navegador, ao blog anterior, e clicar em "proximo blog" novamente, que ele direciona a outro blog, diferente. Uma outra forma de visitar blogs é sair clicando nos links de "blogs relacionados", ou "blogroll", mas aí já não é mais tão aleatório, uma vez que os blogueiros escolhem os links que colocam em seus próprios blogs.

Pra quem quer um passa-tempo, ficou essa dica. E se tiver com preguiça de ficar filtrando blogs pra achar algo interessante, sempre se pode acessar um link [abaixo] que já tinha visto há um tempo atrás, e achei novamente numa dessas minhas blog-leituras, mas aviso logo: é bizarro. Saquem o número de comentários!
Ê mundo doido...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lampejos Inusitados [01]

Não sei se mais alguém já pensou sobre isso mas, sabe aquela música péssima, com aquele arranjo breguíssimo e o famoso refrão que gruda mais do que pixe de praia na sola do pé? Sabe quando essa mesma música está tocando e, de repente, você percebe nela um lampejo de brilhantismo? Um verso que seja, uma palavra apenas, ou mesmo aquele acorde diminuto que você nunca pensou que surgiria naquela melodia cafona e previsível? Pois. Esta nova série de guardanapos se dedica a tais exemplares.

Do mais puro brega, uma pérola pode surgir.
Um dia desses eu estava ouvindo uma rádio na internet, enquanto trabalhava. Eis que ouço uma velha e conhecida melodia, anos 80, daquelas que todo mundo conhece. O problema é que, ao contrário do sax característico de sua versão original, as notas eram tocadas numa guitarra metida a pesada, cheia de distorção. Parei logo o que fazia e fui conferir o nome da música e a banda que a tocava. Confirmei, era realmente o clássico de George Michael, Careless Whisper, mas interpretado de forma bem diferente da original por uma banda chamada seether, até então desconhecida por mim. Achei a nova versão melhorzinha, mas nada que salvasse a breguice encarnada, remanescente da "quase não-aproveitável" década de 80. Continuei ouvindo e prestando, pela primeira vez, atenção na letra. Bem na hora do refrão:

"I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm"

Comecei a rir sozinho e, pra continuar minha diversão, fui atrás do restante da letra. Aqui vai uma estrofe e o refrão completo:

"Time can never mend the careless whispers of a good friend.
To the heart and mind ignorance is kind.
There's no comfort in the truth
pain is all you'll find.

I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm
Though it's easy to pretend
I know you're not a fool.
I should have known better than to cheat a friend
And waste a chance that I've been given.
So I'm never gonna dance again
the way I danced with you."

Tem até uns trechos bonzinhos e muitos outros bem divertidos, mas, o verso que me chamou a atenção, o segundo do refrão, é simplesmente fantástico. Brega, cafona, o escambau, mas "guilty feet have got no rhythm"... é muita criatividade, meu deus!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quantos eus me fazem a mim

De personagens de RPG a pseudônimos de textos e poemas. De jogador de time de futebol a membro de família, ou funcionário dedicado. Andei pensando a variedade de personalidades que possuo, às vezes tão diferentes entre si. Diariamente ou em determinados intervalos de tempo, nós acabamos nos relacionando com pessoas diferentes entre si e de nós mesmos, seja por necessidade ou por afinidade. Confesso que às vezes me impressiono um pouco, de tão diferentes que são alguns de meus "grupos de relacionamento", e como consigo manter uma boa relação com eles. O fato é que me divirto e sou bem feliz com muitas coisas, pessoas e lugares diferentes. Em outros tempos já me perguntei se isso seria sintoma de fraca personalidade, mas esse debate não se alongou muito, pois vi que sei distinguir muito bem e com facilidade minhas preferências. E é claro que eu tive também minha época de radicalismo, quando não me permitia ir a determinados lugares, ou ouvir certo tipo de música. Aliás, a bem da verdade o tal radicalismo ainda surge, de vez em quando, em algumas situações.
Numa rápida olhada ao redor, mesmo com a maioria das pessoas, cada vez mais, procurando tanto ser igual um ao outro, seja usando, vendo ou ouvindo as mesmas coisas, creio que, humanos que somos, não poderemos nunca ser iguais, todos. Portanto, viver em sociedade nos obriga a vivenciar a diversidade, a conviver com diferentes formas de pensar e agir. Na minha opinião, o saldo dessa conta é positivo, mesmo com tudo de ruim que disso acontece pelo caminho.
Voltando a falar especificamente da minha pessoa, é engraçado a quantidade de eus que tenho. É lógico que todos eles têm a essência em comum, ou o que me dá identidade, minha personalidade. Mas, atitudes e comportamentos mudam bastante dependendo do local ou das pessoas ao meu redor. O tipo de conversa, a maneira de se comportar, de se vestir. A comparação dos comportamentos quando no trabalho ou entre amigos é bem comum e fácil de ser percebida entre as pessoas, pois a maioria delas vivem essa dualidade. Mas, indo além, me vejo diferente mesmo quando entre amigos diferentes. Aquele casal de amigos mais requintados, o grupo de rpg, o da pelada semanal, o das canções, da família, ou o das conversas intermináveis na mesa de um bar, cada um deles me faz um eu, que age, às vezes, bem diferente de outros eus. Mas a soma de todos eles é que me faz a mim, completo.
Tem gente que não é assim, não se relaciona bem com tantas pessoas tão diferentes entre si, e é engraçado quando, às vezes até sem perceber, eu junto dois grupos distintos, numa mesma atividade. Das duas, uma: ou o desconforto é visível e o evento vira um verdadeiro fracasso, ou os grupos começam a interagir, percebem a riqueza da diversidade e, creio eu (talvez em minha ingenuidade) até gostam.
Fato é que eu gosto de agregar. Pessoas, momentos, amigos, experiências. Sinto-me bem em saber que posso ser uma interseção entre pessoas ou atividades tão diferentes entre si. Gosto do gostar muito e diverso.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

praia, sombra e... cerva gelada

Um violãozinho ajuda também.
















Aí, mais uma imagem feita no PS. Uma cena que há muito não participo, por sinal.
Mudando de assunto, como eu sei que não serve de desculpa o fato de ter estado enfermo por toda a semana passada, este mês terá quatro postagens para compensar as apenas duas do mês passado. Dessa forma eu me iludo, achando que cumprirei com a promessa da maratona.